terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Temores




  Marina estava apreensiva, mentira, ela estava assustada, seria a primeira vez depois de muitos anos que um homem veria sua cicatriz, mas não era um homem qualquer e nem uma cicatriz qualquer. Marina havia contado tudo para o Uriel, ele sabia que a cicatriz em seu peito esquerdo era resultado de um câncer de mama, ela já estava curada, mas ainda sentia vergonha e temia nunca conseguir se curar desse sentimento.
  Uriel abriu gentilmente os botões da blusa dela, Marina, abaixou à cabeça envergonhada, ele deslizou a peça pelos os seus braços finos até que caíssem ao chão. Ele fixou os olhos na cicatriz, não havia nojo ou medo em sua fisionomia, aqueles pontos que substituíam o lugar do seio lhe causavam orgulho, Uriel, sentia orgulho de Marina, de sua força e coragem, a cicatriz em seu peito só comprovava que ela era a mulher que ele amava.
  Uriel inclinou-se e beijou-lhe a cicatriz por toda a sua extensão, ele só parou quando ouviu um soluço, Marina chorava, duas lágrimas selvagens deslizavam em seu rosto, Uriel enxugou-lhe com os lábios e inclinou o rosto de Marina, para que ela olhasse em seus olhos.
  -Não há nada com o que se envergonhar – ele sorriu, apaziguando todos os temores.
  Marina temeu aquele dia desde que havia conhecido o Uriel. Ela sabia que ele era diferente, mas agora ela tinha certeza.
  

                                                        Andressa S.A

Um comentário:

  1. E devería ser assim na família de todas as "Marinas".
    Um beijo ♥

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