segunda-feira, 24 de julho de 2017

Tela Borrada


Tela borrada
de verde  à cinza
Só sei que é cara
e coroa é rainha
O close é certo
a consciência é sã
Santa insanidade
preciso de um divã
Que seres clivados
desconstruídos
endividados
Correndo exaustos 
enquanto o tempo se esvai
Esse tempo é metido
mesquinho
vizinho!
Não me deixa em paz
Então volto
respiro
A vida é um circo
mas se quiser eu assino
um voto de paz

Andressa S.A

quarta-feira, 15 de março de 2017

Ser amor


O amor tem suas versões
que já me trouxe várias desilusões

Não existe só uma forma de amar
viver é estar apto a desfrutar

Ter alguém não é a solução
ser feliz é a base da questão

O mundo acha que eu preciso de um namorado
mas o que eu quero é só um amigo ao meu lado

Por que a estranheza?
Falo mesmo o que vem à cabeça

O que de fato quero dizer
é que amar faz parte
o amor é uma arte

Você é a tinta, o quadro, 
o pintor, o conteúdo... 
Você tem tudo
tudo para ser feliz

Andressa S.A

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Ter e Querer


Só sabe é quem sente
na pele o amor
Sentimento inocente
que nos mata de dor
Não há cura ou remédio
o inferno é real
Tenho ao lado do peito
teu amor marginal
Era tudo tão belo
tão cruel e anormal
Meu amor eu não quero
- sentimento banal
Já dizia o tempo
ou era mesmo você?
Que não há nada eterno
entre o ter e o querer


Inspirado na música "Você ainda pensa?" de Johnny Hooker 
Andressa S.A

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Lamento

De falsas esperanças eu bebi
Um gole e o veneno foi fatal
Delírios que partiram o corpo astral
Cegueira que obscureceu a alma angelical

O tempo cético transcorreu
O coração frenético se aquietou
A dor nefasta petrificou
E a garganta?
Esta só lamentou...

“De frio alimento-me com fervor, o gosto amargo é o desamor. Sou carne e osso, meu bem feitor. De nada sabes que aplaque a dor. Tu és carrasco, estrago e vergonha alheia. Contigo aprendi a viver da pior maneira e comigo tu irás sofrer a vida inteira”.

       Andressa S.A

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Desmonta


Tua face
fragmentada
Teus olhos 
fuligem
Tua boca
poeira
Espaço descondensado
Teu corpo 
imóvel
flutua 
em ondas
Tua mão
me escapa
Minh'alma
d e s m o n t a

Andressa S.A

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Desespero


Eu fui tomada por um desespero.
Uma praga sutil.
A efêmera falta de sorte.
Meus companheiros de jornada já a conheciam.
E eu conhecia até os seus segredos íntimos.
O que torna-me ser um alvo fácil de moléstia?
Não respondam.
O desespero cresce só em pensar.
O id grita submerso dizendo "Eu sei, eu sei".
E eu respondo "Cale a boca. Ninguém precisa de você".
Mas o fato é que a verdade existe.
Eu sei disso.
Você sabe disso.
Há uma substância pesada de negatividade, ela martela a todo tempo "Você não consegue" e eu boba acredito "Você tem toda a razão".
Uma grande mentira.
Nós vivemos de mentiras.
É por isso que o desespero toma tudo o que vê.

Andressa S.A

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Reconhecimento


Ao olhar no espelho não vê o próprio reflexo, o espelho está embaçado pelo banho morno, a mão pigmentada limpa as gotículas em um instante, agora se olha de verdade, a lucidez o assusta, está admirado e assustado. O que o mudou tanto? O que está vendo? Ah, que desespero, nem ele ao menos sabe. Essa coisa de não saber o perturba, pois saber é como um trunfo na manga, sempre útil em momentos necessários. Mas o que adianta? Ele não precisava de respostas, o reflexo estava ali e dizia muitas coisas, só precisava parar e escutar. “Sabe o que é... você nunca se olhou de verdade, sabe o que é... a verdade assusta”. Finalmente soltou o ar dos pulmões, respirou como pela primeira vez, era uma criança em terra de estranhos.

                                                                     Andressa S.A