quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dias Cinzas

 A lua que vivia naqueles olhos havia desaparecido a tanto tempo que a minha memória falhava ao lembrar. Um vulto de nostalgia perambulava sobre o meu corpo inerte. Dias cinzas andavam lentamente enquanto me trancafiavam em um quarto escuro, meu quarto, minhas coisas, meu piano. Notas fracas soavam enferrujadas e melancólicas. E eu? Tão cinza, tão fraca...é assim que eu me resumia.
 E quando as vagas lembranças de um dia bom surgiam pra me infernizar... eu chorava. Chorava por ainda lembrar e não sentir, nem dor, nem amor e nem raiva, apenas um vazio que agora me preenchia. Um vazio amigo, mas que eu não queria.
 E quando chegava a hora de dormir, a melhor hora do dia, a hora dos sonhos, onde eu podia finalmente viver uma realidade distinta, nova, clara e misteriosa. Um vislumbre do que eu já fui e sou e do que eu poderia ser, mas passava tão rápido que quando eu menos notava, as cinzas já haviam atingido meus olhos.


                                                             Andressa S.A

5 comentários:

  1. Gostei mesmo muito. Sinto-me assim muitas vezes. Vou seguir-te c:
    Beijinhos

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  2. Fiquei muito feliz com o comentário. Ainda bem que gostaste!

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  3. O texto está muito bem feito, não tem como não se identificar. Quem nunca se sentiu assim? Sempre tem um dia em que o céu se fecha acima de nossas cabeças e só conseguimos ver o cinza que tomou conta.
    Beijinhos

    Hipérboles
    @hiperbolismos

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  4. É a primeira vez que vejo o seu blog, e adorei!
    O texto relata mesmo muito bem os dias de tristeza.
    A partir de hoje vou seguir-te
    Beijinhos,
    Sofia :)

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  5. Eita ein prima arrasando!!!!!!!!!!
    Estou feliz por ver seu brilho ficando cada vez mais evidente!
    Te indiquei num selinho lá no blogue.
    BEIJO!
    Ah escreva viu, agora que está bombando não deixe de escrever testos, chegue de deixar tudo na gaveta.

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